segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Álvaro Morna

Ao notar a próxima realização de uma mesa-redonda, aqui em Paris, sobre os media portugueses, não consegui deixar de recordar uma das primeiras pessoas com quem contactei, no seio do jornalismo português em França, quando por aqui fui passando, noutras andanças: Álvaro Morna.

Era uma figura amável e delicada, com um registo de entusiasmo profissional que seduzia, um trato humano onde se adivinhava uma personalidade de bem consigo mesmo, que gostava de fazer aquilo a que se dedicava. Rigoroso e conhecedor dos temas, fazia parte daquela magnífica espécie de profissionais com quem se pode falar sem qualquer receio de vir a ser mal citado, sem rasteiras ao canto de uma pergunta.

Exilado desde novo em França, Álvaro Morna trabalhou na Radio France Internationale, tendo sido aqui correspondente da Lusa, do Diário de Notícias e da Rádio Renascença. Andou muito pelo mundo e escreveu dois livros. Morreu em 2005. Deixou família e muitos amigos que, volta e meia, me falam dele com saudade.

8 comentários:

Manuel Antunes da Cunha disse...

Encontrei o Alvaro Morna tres ou quatro vezes. Conheci-o na Gulbenkian, creio que em 1998, aquando duma conferência em que falava da sua experiência enquanto jornalista e da historia dos Portugueses em França. No final, trocamos apenas duas palavras. Dias depois, recebia-me ja nos estudios da Radio France Internacional e, posteriormente, em sua casa. Abriu-me os seus arquivos de par em par... Exercia o seu oficio com paixão e falava com entusiasmo dos milhares de compatriotas que aqui encontrou. Nesse aspecto, assemelhava-se muito ao Jorge Reis, exilado comunista duma outra geração, mas cujos destinos se cruzaram na RFI.

De facto, ha pessoas que não precisamos de cruzar muitas vezes para ficarem marcadas na nossa memoria e estima. Acredito que, para muitos, Alvaro Morna, era uma dessas pessoas.

José Barros disse...

Álvaro Morna era assim mesmo. E sempre atento ao que se vivia na emigração. Recordo algumas acções em que participamos juntos e a sua verticalidade, rigor e honestidade intelectual.
Com a leitura do seu livro « O caminho da Liberdade », relato fiel dos perigos ocorridos pelos portugueses para chegarem a França, “caminho sinuoso” que ele também atravessou, não podemos aceitar, sem um protesto, a forma como os imigrantes que hoje entram na zona Schengen são tratados.

Fernando disse...

Alvaro MORNA. Sao poucos aqueles que tenho ca dentro para sempre. Alvaro é um deles. Humanidade, honestidade.

Fernando DE SOUSA (presente na facebook)

David - estagiário RFI disse...

Só agora vi este post.
Conheci o Alvaro em 1989, era eu um puto que tinha tudo para aprender e re-aprender. A visão que tenho sobre a vida e muitos dos meus princípios foram sem dúvida alguma influência deste Grande Senhor, um Humanista com H grande. Foste fundamental para o percurso e inspiração de muitos, mas hoje, farias tanta ou mais falta; serias uma voz inconformada. Até sempre grande amigo. David Gramaço

David - estagiário RFI disse...

Ao proprietário do Blogue, gostaria sff de ter o contacto (e-mail ou facebook) do Fernando de Sousa, também um grande amigo. Obrigado e um abraço

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro David Gramaço: não possuo o e-mail que me solicita

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro David Gramaço: Será este? http://fr-fr.facebook.com/people/Fernando-de-Sousa/1252302179

Anónimo disse...

Conheci o Àlvaro Morna em Timor, primeiro, e depois, em Jakarta. Simpatizei com ele. Mas, não gostei do que escreveu no seu livro acerca dos Observadores portugueses e do Capitão Rui Leal Marques. Leal Marques merecia melhores referências pois é um homem decididoe corajoso, um grande lutador por Timor. Mas, ao Álvaro Morna...Paz à sua Alma!