segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Mini-Bar

Os contabilistas estavam perplexos. A conta de "mini-bar" que o hotel tinha remetido ao Ministério, relativa ao convidado estrangeiro que lá alojáramos durante três dias, era espantosamente alta. Muito maior do que as despesas efectuadas no próprio bar do hotel. Que se teria passado? Teria o homem decidido encerrar-se no quarto e esvaziar todo o whisky, gin, cognac e outras bebidas, mandando recarregar o mini-bar algumas vezes mais?

Porém, quem lidara com ele, durante esses mesmos dias, não ficara com a menor impressão de se tratar de alguém afectado na sua sobriedade. O nosso hóspede era quadro superior de um país estrangeiro, de um Estado pobre e com grandes dificuldades. No passado, já tinha ocorrido o Ministério ter de suportar algumas despesas exageradas, feitas por alguns convidados de perfil idêntico, um pouco deslumbrados pela circunstância de todo o consumo que fizessem no hotel ser por nossa conta. Mas isso, à partida, continuava a não explicar a elevada despesa do mini-bar.

Foi tomada a decisão de pedir uma factura detalhada dos consumos feitos pelo cliente, durante todo o tempo da sua estada. A resposta veio e, com ela, a desarmante explicação: a rubrica "mini-bar", inserida na conta do hotel, nada tinha afinal a ver com o consumo de bebidas. Tinha a ver com o facto do nosso homem, no embalar final das suas bagagens, antes de sair do hotel, ter decidido levar consigo, seguramente bem embrulhado, o próprio pequeno móvel do mini-bar...

2 comentários:

Anónimo disse...

Aí está um bom estimulo á perplexidade...
Isabel Seixas

Helena Sacadura Cabral disse...

Nem tanto assim. Entre nós roubam-se coisas bem piores e de mãos limpas...