quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Amália

O novo Portugal continua a ser, para o Brasil contemporâneo, uma constante descoberta. Um pouco como começa já a acontecer em França. Há dias, o jornal "O Globo", trouxe uma reportagem sobre Lisboa, na qual, entre uma interessante reportagem, dava conta da relutância de um empregado da FNAC lisboeta - um figura com símbolos de modernidade como "cabelo, piercings e tatuagem" - a vender o disco "Amália Hoje", uma revisitação da cantora por novos intérpretes. Ao tentar dissuadir o jornalista, ele terá dito: "Este CD é uma porcaria. Não o compre".

Ingenuamente, o jornalista viu, nesta reacção, o reflexo de uma atitude nacional conservadora, de um país que só aceita a modernidade "desde que não mexam com o que é autenticamente português". Ora, na realidade, a reacção, além de mau profissionalismo, é pura estupidez.

O disco é um esforço interessante de recriagem de uma outra sonoridade em torno de temas de Amália, a que só "amalianos" do antanho podem ser hostis. Embora perceba que possa não se gostar deste tratamento musical, está muito longe de ser "uma porcaria" e, confesso, a mim agrada-me bastante. A voz de Sónia Tavares é uma boa surpresa.

Veja um clip aqui e também o texto de O Globo.

4 comentários:

Anónimo disse...

Concordo com a crítica, de que a reacção foi de mau profissionalismo e até estúpida. Até aqui, inteiramente de acordo. Já que a voz de Sónia Tavares, neste particular caso, seja uma “boa surpresa”, discordaria, inteiramente. Este “tratamento musical” é tudo menos bom. Gostos. Que não partilho, de modo nenhum, com FSC. Já chamar “porcaria” é desrespeito para quem canta e eu respeito todo aquele/a que se esforça e empenha seriamente no seu trabalho. Mas, atenção, também não é bom caminho, na tentativa de reforçar aquilo que se pensa, ou acredita como certo, de se designar de “amalianos de antanho”, quem é contra (o que é diferente de ser hostil!). Há quem goste, como FSC, e quem não goste, como eu e muitos outros. E não é por ser admirador de Amália, que nunca fui. Gostei de a ouvir, aqui e ali, haverá trechos musicais que aprecio, outros não. Foi uma grande voz do Fado? Foi. Sem dúvida. Agora este CD da Sónia não me convence. Longe disso! Ser moderno neste caso, é ter a capacidade de “entender e gostar” de Sónia Tavares? Não creio. Julgo que esta interpretação de Sónia Tavares simplesmente não resultou. Na minha opinião, naturalmente. Que tenho todo o direito de ter! Apesar do “incrível esforço” das diversas estações de rádio, insistentemente a tocarem o CD de ST.
Albano

Francisco Seixas da Costa disse...

1. Chamei "amalianos" do antanho aos que eram hostis a esforços de recriagem (recriação ficaria melhor, concedo) de uma outra sonoridade em torno de temas de Amália - como era o caso deste disco. Entre outros.
2. Percebo que possa não se gostar deste tratamento musical. Mas, mesmo que se não goste, julgo que está longe de ser "uma porcaria".
3. A mim agrada-me bastante.

Dito isto, relendo o post, parece-me aceitável o que escrevi. Ou não?

Anónimo disse...

OKAPAS!
Albano

Anónimo disse...

Também oiço com agrado espontâneo esta versão da gaivota,acho-a leve, bonita, original... Consequentemente bem conseguida.Desde logo, do meu ponto de vista, uma boa prestação da Sónia Tavares com uma voz fresca e boa dicção.
Isabel Seixas