domingo, 19 de julho de 2009

Paris 88

Eugénia de Melo e Castro é uma caso original na música portuguesa contemporânea. Viajante do Atlântico, fez carreira em Portugal e no Brasil e, por mais de uma vez, ao longo das últimas décadas, contribuiu fortemente para o reforço do mútuo conhecimento desses dois mundos tão distantemente próximos.

Cantou com os melhores do Brasil, usando sempre, sem complexos, o seu "português de Portugal".

Será impressão minha ou o mundo musical português não a aprecia como deveria apreciar? E porque será?

Como aperitivo aos seus já muitos e belos discos, deixo, nesta noite de verão, e nem de propósito, o seu Paris 88.

11 comentários:

Helena Sacadura Cabral disse...

Não é impressão sua. É a mais pura das verdades. Primeiro "tem um nome" e uma família que jamais renegou e, depois, tem consciência do que vale. Dois factos que os portugueses toleram mal...
Helena Sacadura Cabral

NUNO RAMOS disse...

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Anónimo disse...

Contrariamente, eu acho que o mundo musical português a aprecia como deve. Isto apesar de haver quem continue a promovê-la e, teimosamente, a puxá-la para patamares que o seu valor nunca poderia atingir. A voz do povo, que é sábia, diz que vale mais ter graça que ser engraçado.
Cantou com os melhores do Brasil, é um facto. Todavia, mérito seria os melhores do Brasil terem cantado com ela.
Mas não foi só no panorama musical português que tem sido apreciada como merece. Também como autora, produtora e apresentadora de TV, assim como actriz de teatro e de cinema, tem sido devidamente apreciada. Um esbanjar de talento. Pena que estes povos incultos, o português e o brasileiro, a não saibam apreciar. Não há dúvida que temos que mudar de povo.
Se não renegar a família é mérito, então terá também esse. E claro que nada tem a ver com o facto de a mãe ser quem é, nem de o pai ter, no Brasil, as funções que tem.
Respeito quem gosta. Entristece-me apenas a fórmula a que continua a obedecer a repartição das oportunidades. Que tantas vão para uns e tão poucas chegam a quem não tem …o tal nome.
JR

EMC disse...

Sr Anonimo JR

ignorancia e burrice quando juntas são realmente uma bomba de nitroglicerina..........

Anónimo disse...

EMC, talvez o Anónimo JR seja ignorante e burro; mas não lhe fica bem a si ser juiz em causa própria.

Anónimo "tout court"

EMC disse...

tem toda a razão........

Eloy Varandas disse...

Não sei se o Sr. Anônimo JR (anônimo como convém a todos os anônimos) é um matemático, mas posso assegurar que muitos dos melhores do Brasil cantaram com a Eugénia (nos discos dela) e ela cantou com muitos dos melhores do Brasil (nos discos deles), ou seja, a propriedade comutativa da adição está perfeitamente caracterizada. Outrossim também posso assegurar ao Sr. Anônimo, que Eugénia Melo e Castro é extremamente conceituada nas outras ramificações do mundo musical brasileiro: críticos de música, admiradores da canção popular em geral, pesquisadores, colecionadores de discos, enfim, por toda uma gama de gente que tem a música como item essencial em suas vidas.

Eloy Varandas (nada anônimo)

Anónimo disse...

Sobre Eugénia Melo e Castro vou usar uma frase de Tom Jobim: "Sucesso é ofensa pessoal", e os portugueses não sabem lidar com o sucesso dos outros...

Jonas disse...

Jonas Santos, (autor também nada anónimo) do post acima!! Por lapso não assinado...

Anónimo disse...

Senhora Eugénia Melo e Castro

Depois da sua resposta, por sinal bem elucidativa e com tão eloquentes e cabais argumentos, entendi que tudo tinha ficado suficientemente esclarecido, escusando-me a qualquer réplica, não só porque redundante, mas também porque não uso o mesmo tipo de argumentos e ainda porque, não tenho dúvidas, este blog merece uma atitude mais elevada e substancial do que aquela que o seu comentário revelou.
Todavia, e porque a senhora, não tendo tido a coragem de publicar o comentário/reparo que escrevi hoje no seu blog - embora tendo ido apressadamente emendar o erro de palmatória que lhe foi apontado por um “burro e ignorante”-, não sabendo conviver com a crítica que lhe não é favorável, deturpando o bom conselho de um anónimo “tout court”que lhe dizia não ficar bem ser juiz em causa própria e, pelos vistos, amedrontada pelo comentário de alguém que, no uso do seu direito de opinião, disse “o rei vai nu”, colocou no seu blog um toque a rebate apelando às suas tropas para acorrerem em seu auxílio no“Duas ou Três coisas”, não me deixa outra hipótese a não ser a de replicar aqui, pois se o fizesse no seu blog teria a mesma sorte: tesourada!
No meu primeiro comentário, manifestei a minha opinião sobre o seu trabalho, do qual não gosto, seja qual for a área onde o tenha desenvolvido, e aludi a um outro comentário que lhe atribuía mérito por ter um nome e não ter renegado a sua família. Não fiz alusões ao seu carácter. Sobre isso a senhora se encarregou de o fazer a seguir e de continuar hoje no seu blog.
Manifestei, ainda, a minha tristeza pela injusta distribuição das oportunidades. A senhora não gostou e reagiu. É legítimo. Porém, perdeu a legitimidade ao responder da forma primária como o fez. Como disse, não lhe reconheço grande talento, mas, apesar de tudo, confesso que esperava mais.
Não crê que será pertinente questionar porque motivos um comentário desfavorável de um “burro e ignorante”, certamente submergido por milhares de comentários favoráveis de pessoas inteligentes, cultas e sábias, desencadeou em si tal reacção? Se está tão convicta do seu valor e do seu talento, como outros porventura estarão, siga fazendo o que faz e deixe a caravana passar. Ou então, tente fazer melhor para cativar os que agora dele não gostam. Aprenda a conviver com opiniões contrárias à sua. Uma vez que vem para Portugal permito-me recordar-lhe, caso se tenha esquecido, que cá, tal como aí, se convive bem com a crítica. Por muito desfavorável que seja.
Quanto ao anonimato, creia que para quem interessa não sou anónimo. Para si, só (não) interessa a opinião.
Releve a minha ousadia de deixar-lhe uma última sugestão: avise os visitantes do seu blog para serem muito condescendentes quanto à forma como a senhora trata o idioma que usa.
JR

Eloy Varandas disse...

Caro Senhor Anônimo JR,

Não me interessa saber a sua identidade, mas me parece que o Sr. está mais educado neste último post do que no primeiro. Essa é uma das vantagens de ser anônimo. Pode ser que o Sr. seja o mesmo JR do primeiro post e pode ser que não seja. Pode ser até que o Sr. seja o Anônimo "tout court" que manifestou-se acima. De toda a forma, essas facilidades não me interessam. A revolução digital trás em seu bojo uma gama enorme de possibilidades para o desenvolvimento do ser humano, mas, se por um lado abre inúmeras opções para que todos se manifestem democraticamente, serve também para que muitos se aproveitem dessas facilidades para se portar de forma leviana e sem nenhuma cordialidade.
O Sr. JR tem todo o direito de não gostar do trabalho da Sra. Eugénia Melo e Castro. E de manifestar esse seu desagrado. E propalar esse seu desagrado na grande praça pública que se tornou a Internet, mesmo escondendo sua identidade por trás de um quase anonimato. Eu também acredito que isso é legítimo. No entanto, isto não lhe dá o direito de propalar, com a ironia rasgada de seu primeiro post, que a Sra. Eugénia teria se beneficiado de seu parentesco e de uma injusta distribuição de oportunidades. Quais teriam sido esses benefícios? Quais seriam as funções que o pai da Sra. Eugénia teria no Brasil? O Sr. Ernesto Melo e Castro não tem funções no Brasil. Quais oportunidades seriam essas que a Sra. Eugénia teria injustamente recebido? O que sabe o Sr. sobre as dificuldades de manter uma carreira íntegra, sólida, honesta, produzindo uma obra, que goste o Sr. ou não, é de muita qualidade? Dificuldades que a Sra. Eugénia enfrenta, como, de resto, enfrentam todos os artistas que não se submetem a esquemas comerciais ou que não estejam vinculados a grandes aparatos midiáticos.
Não sou da tropa de choque da Sra. Eugénia, aliás não tenho muita simpatia por tropas. Sou um apreciador da música na sua essência. Sou brasileiro, tenho 55 anos de vida e uns 40 nessa "profissão" e, me desculpe a falta de modéstia, sei muito bem do que estou falando. Para encerrar, permita-me também uma ousadia: a de sugerir ao Sr. que use sempre da elegancia que parece ser possuidor pela maneira que escreve, seja nas suas intervenções na Internet ou na vida como um todo. Mas evite ser leviano e profundamente descortês como foi com a Sra. Eugénia. O mundo seria melhor se esse tipo de comportamento fosse evitado.

Eloy Varandas