terça-feira, 23 de junho de 2009

República francesa

A França é um país curioso. Embora com uma matriz republicana muito forte, conserva um fausto e alguma liturgia que são tributários óbvios da monarquia e do império. A V República é, manifestamente, o tempo político em que esses sinais mais se evidenciam. E, como não podia deixar de ser, é nos momentos em que não há coabitação política (maioria e presidente com diferentes lateralizações ideológicas) que isso se afirma com mais intensidade. Ontem, o presidente francês dirigiu-se ao Congresso, a figura constitucional que agrupa a Assembleia Nacional e o Senado. E, seguramente não por acaso, fê-lo no Palácio de Versalhes.

Durante muitos anos, alguns pensaram que a liturgia do modelo da V República era própria de chefes de Estado da área conservadora. Mitterrand provou que essa ideia era perfeitamente errada e demonstrou como a esquerda, quando no poder, vivia bem confortável com a grandeza e os dourados da vida palaciana francesa.

2 comentários:

Helena Sacadura Cabral disse...

Não sei se o PC - computador, entenda-se - me não pregou uma partida e comeu o comentário sobre o livro de F. Giroud.
Se assim aconteceu repetirei porque lhe aconselhava um livro muito curioso.

Bento Freire disse...

É verdade que Mitterrand recolheu e poliu a herança de "grandur" de de Gaulle; mas este pensava na França quando impunha rituais majestáticos e Mitterrand queria a "grandeur" da República.
Quanto ao use do Palais de Versailles, trata-se de mais uma tradição repúblicana:a III e a IV Repúblicas faziam reunir aí os parlamentares que elegiam os Presidentes da República desde que no fim do sec.XIX, caídos os Orleans, od poderes públicos foram transferidos, como se dizia na época, para Paris. A V República, que passou a eleger o Presidente da República por sufrágio universal, atribuiu o Palais de Versailles ao Congresso (deputados e senadorse) tal com o Senado tem o Palais du Luxembourg e a Assembleia o Palais Bourbon.