terça-feira, 23 de junho de 2009

Bordéus

A primeira vez que passei por Bordéus foi há mais de quatro décadas, de mochila às costas, quando me deu na veneta atravessar a Europa "à boleia", da rotunda do Relógio (era então outro relógio, bem mais bonito) à Noruega. Recordo-me de uma cidade voltada "para dentro", ruas estreitas à moda mediterrânica, criando-me a imagem de uma certa França, de orgulhosa e burguesa província. Das restantes vezes que por lá passei, a imagem foi-se repetindo, até porque o progressivo declínio do porto não contribuiu, durante muito tempo, para uma renovação da economia e da paisagem da região e da cidade, não obstante terem tido como figura tutelar uma das mais interessantes e influentes personalidades da V República, Jacques Chaban-Delmas. Mas Bordéus parecia-me, de certa forma, ter parado no tempo.

O contraste entre a cidade de então e a Bordéus de hoje é imenso. E para isso muito contribuiu a recuperação da área junto ao rio Garonne, dando visibilidade a um conjunto magnífico de edifícios, então tapados pelo acesso ao feiíssimo porto. Uma obra, entre muitas outras, que a cidade fica a dever ao espírito reformador do actual "maire", e antigo Primeiro-ministro francês, Alain Juppé. Compete-nos encontrar maneira de estimular a geminação existente entre o Porto e Bordéus, que há anos anda "enguiçada". Ontem mesmo, Alain Juppé me garantiu o seu empenhamento pessoal em avançar bastante nesta área.

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