domingo, 29 de março de 2009

Nulos

A primeira vez que assisti a um jogo internacional de Portugal foi no Estádio Nacional, no Jamor, em 1955. Eu era muito miúdo, mas ficou-me sempre na memória que perdemos por 6-2, com a Suécia. Nessa altura, as prestações portuguesas, em termos de jogos internacionais de futebol, eram de nível baixo e as derrotas quase que se comemoravam, quando eram por números reduzidos.

Curiosamente, a minha última experiência de uma partida ao vivo da selecção portuguesa foi em Brasília, contra o Brasil, em 2008, quando perdemos por ... 6-2! Foi uma humilhação para Portugal e para os portugueses no Brasil. Já nem falo no resultado, falo da displicência da atitude em campo.

Ontem, felizmente, não estive no Porto, para ver o nulo com a Suécia, que nos coloca à beira da eliminação para o Mundial da África do Sul, onde a presença nacional daria uma alegria muito grande a uma Comunidade portuguesa que aí tem passado tempos bem difíceis.

Mas isso importa alguma coisa a alguns dos jogadores portugueses? Será que percebem o que significa representar Portugal e a importância dos resultados que obtêm, em especial para os nossos compatriotas que vivem no estrangeiro? Ou o mais que conta são as modelos que trazem à ilharga, as roupas de marca e os carros espampanantes? Para alguns, as bandeiras dos respectivos clubes parecem ter substituído, em afectividade, a bandeira nacional portuguesa.

8 comentários:

Jose Martins disse...

Paasei uma noite em claro para assistir ao jogo.

Quatro da manhá em Banguecoque.

Me parece que futebol português está a sofrer uma doença crónica que tarde,certamente, se irá encontrar cura.

Não observei aquela euforia do público sentado na bancada.

Vi umas poucas bandeiras e iguais cachecóis exibidos.

Aquele tempo de outra era se foi..

Vi rostos desalentados e muita ansiedade, visível, para que a bola entrasse. nas redes.

Não tenho por aí grande apetência por assistir a jogos de futebol, mas sempre de olhos postos no ecran do televisor de quando Portugal joga.

E não só minha mulher chinesa e filha Maria lusa/descendente, juntos a vivermos a mesma alegria que a equipa Nacional já nos deu, em minha casa de Banguecoque.

Tempos felizes foram de quando do mundial e do Euro2004 de quando eu, ainda no activo como funcionário da Missão Diplomática de Banguecoque carreguei no meu carro 100 poster,encaixilhados em pequenas molduras e os fui entregar a hoteis distantes da capital tailandesa a mais 150 quilómetros.

Decorei os "cofeeshops" e todos me falavam, como admiradores do Luis Figo e do futebol de Portugal.

Mas ainda nesse ano (2004) o Luis Figo jogador do Real Madrid, passou por Banguecoque,onde a equipa madrilena jogou com a selecção da Tailândia.

O Carlos Queirós era o treinador do Real Madrid.

O Luis Figo não jogou, devido a uma lesão, mas deu uma volta ao relvado, para o público o ver.

Quando o Luis, em andamento de corrida de maratona, mais de 60 mil pessoas levantaram-se para bater palmas.

Eu estava junto ao relvado para reportar o jogo e junto ao Carlos Queirós e era o único português ali a ver e ouvir todo aquele delírio dos tailandeses.

Uma emoção rara de experimentar onde ao corpo me chegaram calafrios.

Mas depois daquela glória toda vinda das bancadas, foram depois várias raparigas com calções, nas mãos, com o nome do Luis Figo a beijá-las quando o atleta português se dirigia para o balneário.

Documentei em imagens todas aquelas cenas patéticas onde bem patente estava o nome de Portugal.

Já não há Figos no futebol portuguès, há outros de nome que bem poderiam continuar a dar as glórias de outras eras.

Quanto ao treinador e ao dirigente actuais não me pronuncio...

Acho que há demasiada, enganadora, propaganda, meses antes dos encontros como o dono de uma galinha que espera que ponha o ovo e nunca mais o ovo sai do rabo da galinha.

O público perde as esperanças e a "glória vã de ganhar"
José Martins

Anónimo disse...

Acho que a remuneração deveria ser compativel com e em função da avaliação do Desempenho...
Claro, incluindo também os adeptos como avaliadores.

Isabel Seixas

Anónimo disse...

Subscrevo inteiramente este desabafo do Embaixador Seixas da Costa. REALMENTE!!
Alguém é capaz de me explicar porque é que os jogadores, na Seleção, não jogam bem e nos clubes onde se encontram são acutilantes e de boa finta? Será porque o dinheiro fala mais alto (mais alto do que ter orgulho nacional)? Se calhar! Há quem proponha a "receita" Mourinho. Mas, julgo que nem ele o conseguiria (e nem quereria tentar). É uma questão mental (dos jogadores nacionais, no seu conjunto), penso.
No caso vertente, como muito bem diz o Embaixador aqui, será, se falharmos (como poderá suceder)uma desilusão a multiplicar por 700 mil portugueses, na África do Sul. Lamentável!
P.R.

M. Cunha disse...

Desta vez, permita-me discordar. De facto, as atitudes dos jogadores dentro e fora de campo muitas vezes não são condizentes com o seu estatuto. E discordo totalmente com os salarios astronomicos.
Mas ontem, jogaram bem, com determinaçao. E nem sempre quem merece ganha. Custa.. até doi. Mas é um jogo. Quer se qualifiquem ou não, esta selecção vai mostrar nos proximos cinco jogos se merece estar no Mundial.
A ultima vez que os fui ver ao Stade de France, saimos de la com 0-4. Era a feijões.... Ms ai também doeu muito.

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Isto está realmente muito mal. E não me canso de repetir o que tenho dito desde há um ror de tempo: o senhor Queiroz não foi uma péssima contratação; é uma péssima aquisição.

Há jogadores que não sentem a camisola? Há. Por não serem Portugueses ab initio? Não. Vejam-se o Pepe, empenhadíssimo, para mim o melhor em campo e o Deco, empenhadíssimo, vindo de lesão preocupante, e que, mal entrou, deu logo alguma coisa nova à selecção.

África do Sul? Agora, só no amigável que se segue... E oxalá não seja novo desastre. A crise é, sem dúvida, maldita. Até na selecção.

Anónimo disse...

Ser seleccionador não é tarefa dispicienda,e muito menos comprometida com interesses ínvios.
Motivar jogadores "perfeitos",técnicamente, só está ao alcance de eleitos.
As técnicas de dinamização grupal, devem fazer parte intrínseca do trabalho diário, nas longas reuniões dos escolhidos.
Como é possível, com tão preciosa matéria prima, não conseguir a maravilha do cristal?

Helena Sacadura Cabral disse...

Não devem ser fáceis as conversas de balneário entre treinador e jogadores. Mas pergunto: porque será que com um brasileiro à frente da selecção todos vibravamos e agora com um português parecemos esmorecidos?
Concordo com a Isabel quando refere que as remunerações deviam ser proporcionais aos resultados. Não só no futebol, aliás. Mas parece que se está a incrustar no mudo a teoria de compensar quem trabalha mal. Veja-se os bancos americanos e...os nossos.
Concordo que não jogámos mal. Todavia, não chegou. Precisávamos de ter jogado muito bem. Mas para quê, quando os salárioe e contratos publicitários dos jogadores lhes dão milhões? Onde está, entre nós, a cultura de excelência de que tanto necessitamos? Até os "quadros de honra" das escolas foram à vida e ninguém parece ter-se importado!
É uma questão de nivelar por baixo e marginalizar os que se destacam. Ou não será?

Anónimo disse...

Parece-me que tudo se resume a uma única afirmação: "quando os músicos desafinam, a culpa
(normalmente) é do regente da orquestra!