quinta-feira, 19 de março de 2009

José de Guimarães

O deliberado abuso da cor pode, aos olhos menos atentos de alguns, atenuar a visão de tragédia que é procurada neste capítulo da obra de José de Guimarães, dedicada às favelas do Brasil, presente desde ontem no Grand Palais, em Paris.

Guimarães é o caso muito interessante de um homem que, tendo chegado, aos 30 e poucos anos, à improvável categoria de Coronel do Exército português, na especialidade de Transmissões, trouxe, entretanto, para a escultura e para a pintura, uma elevada sensibilidade e uma originalidade pouco comum, hoje espalhada por muitas obras em espaços públicos, por todo o mundo.

É um homem sereno, rigoroso, com um sorriso na vida que não ilude o rigor com que olha o mundo e as coisas. Quem conhece o seu gosto pela arte primitiva africana - e excelente colecção que possui - pode talvez entender melhor esta sua apurada sensibilidade.

1 comentário:

Anónimo disse...

Adoro José de Guimaraes.
Ha uns anos atras (talvez mais de 10) fui visitar uma exposiçao que estava patente no Instituto Camoes, na rua Raffet, em Paris.
Quando cheguei, tive que tocar à campainha para entrar. A seguir na recepçao perguntaram-me o que desejava. Quando respondi que vinha visitar a exposiçao de José de Guimaraes a funcionaria levantou-se e foi simpaticamente acender o quadro da luz da sala onde estavam expostas as obras, sobretudo colagens se bem me recordo...
So faltou a senhora ir buscar o espanador ou abrir as janelas para arejar.
Naquela tarde, tive o privilégio de ter um "tête à tête" com José de Guimaraes.
Nao sei quantas vezes mais aquela funcionaria acendeu e apagou aquele quadro da luz. Quanto a mim, nunca mais voltei ao Instituto Camoes...

Julia Macias-Valet