segunda-feira, 2 de março de 2009

Estrelar apetites

A chegada anual ao mercado do "Guide Michelin" é sempre um momento ansiado pelos gastrónomos franceses, para quem as edições que actualmente analizam os restaurantes de outros países são um sucedâneo menor e periférico.

O facto da edição desde ano ser a nº 100 terá criado uma expectativa ainda maior, pelo que consta que a corrida às livrarias, para ver quem entrou ou saiu das “estrelas”, foi grande.

Em tempos de crise, penso que talvez se possa dizer que quase são tão relevantes os 548 restaurantes "estrelados" (de um a três estrelas – sendo estes últimos apenas 26) como os 527 marcados como "Bib Gourmand", isto é, casas onde se pratica a melhor relação qualidade/preço.

Por mim, já decidi: aos primeiros, vou com muito gosto, mas só como convidado.

3 comentários:

Helena Sacadura Cabral disse...

Ligando o útil ao agradável, sugiro-lhe Senhor Embaixador uma visita ao restaurante "Le Quai d´Orsay" para petiscar uma salade d' endives que, no meu tempo, era excelente!
Espero que continue a existir...

Rui M Santos disse...

Como eu o entendo...
Mas veio-me à memória a nossa viagem à Irlanda e o jeitão que nos deu o Guia Michelin....
Bons Tempos !!
Forte Abraço

Rui M Santos

Anónimo disse...

Citando Jonathan Nossiter, do seu “Mondovino”, um livro mais sobre vinhos (e “terroirs”) do que de gastronomia, mas como uma coisa está indissociavelmente ligada à outra, esta última acaba também por ser objecto de abordagem e, nesse sentido, é referida a atitude de Alain Senderens (que juntamente com Joel Robuchon e Alain Ducasse constituem, ou constituíam até recentemente – há que ver o que a 100ª edição do Guide Michelin vem agora dizer - o trio de chefes mais célebres de França) ao ter declarado, assim noticiava o Le Monde de 20 de Outubro de 2005, “que renunciava ás três estrelas que o Guia Michelin lhe atribui desde há 28 anos para fazer uma cozinha actual, sem afectações, em virtude de a pressão daquela distinção o impedir de propor sardinhas assadas à sua clientela”.
Aqui há tempos, li também que alguns prestigiados Chefes em Espanha, estariam a enveredar por caminhos semelhantes, ou seja, em direcção a uma “cozinha” menos “espartilhada” digamos, mais solta, mais “popular”, naturalmente sem nunca abdicar da qualidade - acima de tudo.
Não estou, longe de mim, a por em causa semelhante classificação, com que muitos grandes profissionais da Gastronomia, em todo o Mundo, Portugal incluído, são distinguidos. É, indiscutivelmente, um mérito que deve ser respeitado e apreciado.
O que pretendo, muito modestamente dizer, um pouco na linha com que Francisco Seixas da Costa refere a terminar o seu artigo, é que há uma outra “cozinha”, que não sendo tão elaborada como aquela alvo das referidas “estrelas”, nem por isso deixa de ser igualmente agradável, saborosa, excelente (!) e que nos pode proporcionar momentos inesquecíveis...e a preços mais compativeis.
Portugal possui, cada vez mais, um naipe de excelentes Chefes, o que só nos deve orgulhar, alguns até já “medalhados” pelo Michelin. E com provas dadas no estrangeiro. Ainda recentemente, pelo que li na revista de Fevereiro “Wine – essência do vinho” José Avillez fez sucesso no Madrid Fusión e depois na Embaixada de Portugal na capital espanhola. E em Barcelona também houve promoção da Gastronomia portuguesa.
Daí que, o projecto de Francisco Seixas da Costa (sempre dinâmico!), segundo referiu a propósito do seu artigo sobre Rui Paula (a fazer, como sempre, um excelente trabalho no DOC) – de o trazer, junto com outros Mestres da nossa cozinha, até França, seja uma excelente e estimulante ideia!
Um forte abraço ao Francisco,
P.Rufino