sexta-feira, 13 de março de 2009

Afropessimismo?

A descrença na eficácia do desenvolvimento africano, provocada por inúmeros insucessos e recuos, nos processos políticos e de crescimento de muitos dos seus países, gerou, já há bastante tempo, o cínico conceito de "afropessismismo".

O caso de Cabo Verde, onde hoje está em visita oficial o primeiro-ministro português, é um bom exemplo de um Estado africano que evoluiu de um modo extremamente positivo, uma experiência política que a comunidade intenacional tem obrigação de apoiar e de incentivar, cada vez mais. Com uma natureza hostil e escassos recursos materiais, mas com uma determinação humana muito forte, Cabo Verde tem dado ao mundo uma lição de como é possível estruturar uma sólida democracia, com respeito pela alternância e pela plena preservação do Estado de direito. Daí o respeito que o país recolhe hoje no mundo, serviço por uma diplomacia de qualidade, que não descura a promoção da riqueza cultural que projecta.

Julgo que os portugueses se sentem hoje felizes por constatarem que o seu país mantém com Cabo Verde, desde há vários anos, uma relação de frutuosa cooperação, em todos os domínios, um sólido entendimento e amizade, que sempre foi muito para além das orientações dos conjunturais governos, de um lado ou do outro. E isto não é apenas "langue de bois" diplomática, é a pura realidade.

Cabo Verde é a prova provada que o "afropessimismo" não tem razão de ser.

2 comentários:

Margarida disse...

Excelso Senhor Embaixador..., que positivismo radiante!
Mas um em cinquenta e três países é um nadinha escasso, não crê?
Nem atinge a quota mínima da tese da garrafa meia cheia ou meia vazia.
"E a África do Sul?", replica.
Hum..., será?...

Anónimo disse...

O chamado afropessimismo é uma designação atrás da qual se escondem, envergonhados, alguns dos teóricos que foram responsáveis pela situação calamitosa em que África se encontra; é o herdeiro do paternalismo eurocêntrico dos anos 70 e 80, das receitas hipócritas dos países (pre)dadores convertidos depois, nos anos noventa,ào pensamento único do trade not aid.
Cocluíram,então, e disso convenceram a maioria incauta, que o atrazo e a pobreza em África são endémicas, uma espécie maldição de que ELES não se conseguirão libertar, enredados num círculo vicioso de pobreza-violência-ditadura-pobreza.
A História, mesmo a recente, demonstra a falácia desta posição.
Durante os anos 70 e 80, Angola, por exemplo,estav entre os Países Menos Desenvolvidos, ao lado das restantes ex-colónias portuguesas e do Haiti, da Libéria, da Serra Leoa...
Algund destes LIBERTARAM-SE daquele círculo vicioso.
Nos mesmos anos 80, a Costa do Marfim, o Quénia ou o Togo eram OS BEM-COMPORTADOS que os dadores apontavam como exemplo aos MAUS.E porque deixaram de o ser? Porque desastres políticos (e outros,sejamos justos) os atingiram violentamente.
Na década de 90, as sumidades de Londres, Bruxelas e Washington DECRETARAM que era o Uganda, um caso de BOA GOVERNAÇÃO, leia-se DITADURA BENÉVOLA E PATERNALISTA QUE CRIA BOM AMBIENTE PARA NEGÓCIOS, o modelo a seguir.
Seguiu-se a paranóia da INTERVENÇÃO HUMANITÁRIA, im caso grotesco de auto-convencimento mégalomano...
E a trouvaille do TRADE NOT AID e,e,e...
poder-se-ia continuar esta breve resenha de DOUTRINAS OCIDENTAIS, todas elas receitas absolutas para salvar África, nenhuma delas africana.
Mas, ao contrário do que Margarida parece pensar, Cabo Verde não é um caso isolado (mesmo juntando-lhe a África do Sul); Botswana, Moçambique, Liberia(até há pouco tempo um dos MALDITOS ), Gana...
O Embaixador Seixas da Costa tem razão: o afropessismo é só a má-consciência que não ousa dizer o seu nome.

GV