sábado, 14 de fevereiro de 2009

Passaporte

Há dias, referi casualmente, num grupo de amigos europeus, o facto de que, ao chegarmos ao aeroporto de Lisboa, vindos de um país estrangeiro fora da área Schengen (que já abrange muitos Estados europeus), os novos passaportes portugueses já nos permitem entrar no país (bem como dele sair) sem que nos confrontemos com a cara de qualquer funcionário policial. Muitos quase não acreditaram.

Expliquei, com algum orgulho, que a simples colocação desse nosso novo passaporte numa máquina, combinado com o olhar para uma câmara, resulta na abertura de uma porta de vidro, com livre passagem e imediata entrada no país. Tudo em 30 segundos.

Posta de parte a leitura pessimista de um amigo, que é simultaneamente meu e da onça, o qual objecta que, dessa forma, ficamos mais tempo à espera das malas que tardam a chegar às esteiras, há que reconhecer o muito que andámos desde os tempos em que a rapaziada da Pide nos escrutinava com um olhar oblíquo que, por mais inocentes que estivéssemos, nos provocava alguma pontual taquicardia. Eu sei que há uma diferença imensa entre a sinistra Pide e o benévolo SEF, mas, mesmo assim, confesso que prefiro o anonimato orweliano da nova máquina. E, a julgar pela cara dos meus amigos estrangeiros, eles também…

2 comentários:

Jose Martins disse...

Senhor Embaixador,
Mas essa coisa da nossa cara ficar "chapada/arquivada", nos serviços de fronteiras, dos aeroportos, já está em uso há mais de dois anos nos aeroportos da Ásia. Quanto ao seu amigo e simultaneamente da "onça", adorei!
Sempre existiu um amigo desses (do onça) na carreira de um "diplomata".
Até eu um mero "manga de alpaca" (reformado) tive alguns e nunca me vi livre da sacanagem de seus sorrisos...

Margarida Pereira disse...

Uma beleza, estas tecnologias.
Um dia, um chip implantado. C'est la vie!
Quanto à "onça", não é necessário subir-se tanto na escada das elites (vénia) para que o rosnado se ouça. Melífluo...