sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Omissão

O "The Economist", provavelmente a mais bem escrita revista do mundo, atravessa tempos de notória perplexidade, em face da conjuntural derrota das terapias que sobranceiramente se habituou a espalhar, sempre que em qualquer lugar emergiam sintomas de moléstias político-económicas. Porém, com a inconfundível graça do seu estilo, está a digerir, embora a custo, o que por aí vai em matéria de recurso a um receituário de cariz mais estatizante, nestes tempos em que alguém tem de dar uma mão à "mão invisível" que ela sempre sacralizou.

A sua edição de hoje traz, na capa, um belo desenho com a "conta" a pagar pela Europa em crise, onde se pode ler, no mesmo pacote dos mais evidentes "desastres" nacionais, a referência a alguns países dos últimos aderentes - Hungria, Bulgária, países bálticos – e a outros como a Irlanda, a Grécia e... a Itália.

O "The Economist" nunca faz nada ao acaso, muito menos nos seus "cartoons". Por isso, com alguma ironia, quase que apetece dizer que, num tempo de más notícias como o que vivemos, a omissão de uma referência a Portugal arrisca-se a ser interpretada como um discreto elogio.

Mas, desde já, peço antecipado perdão à poderosa escola do pessimismo profissional lusitano por esta minha arrojada heterodoxia. Não queria ofender, está bem?

5 comentários:

Anónimo disse...

Qualquer sinal, mesmo que discreto é bom, "a crise envolve-nos de tal forma" que a maior parte das pessoas nem conseguem perceber que estão vivas...
GFaria

DL disse...

Há um preço a pagar pelo risco. Não foram estes mesmos líderes que apoiaram incondicionalmente a adesão dos novos membros -- dez de uma só vez -- e das suas impreparadas economias? A abertura não pode funcionar só quando tudo corre bem, e quanto tudo vai mal advogar-se o proteccionismo. Ao menos nessa matéria Sarko nunca foi hipócrita: já era proteccionista antes da crise.

Quanto ao pessimismo, não ofende nada, lembro só que foi no Economist (também sou assinante) que vi pela primeira vez a designação de PIGS para as economias dos países do Sul...

Francisco Seixas da Costa disse...

Posso estar enganado, mas creio que quem falou primeiro nos "pigs" (Portugal, Italy, Greece, Spain) foi o "Financial Times".
http://ezinearticles.com/?The-Southern-Pigs&id=1546769

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Longe de mim vir aqui testemunhar em defesa do Seixas da Costa. Ele não precisa. Mas, verdade, verdadinha, foi o "Finantial Times". Há quase seiscentos anos que leio os dois - e guardo algumas referências. Atenção: e algumas reverências...

Margarida Pereira disse...

... Senhor Embaixador..., e se tiverem esquecido o rectângulo!?
Pode suceder...
Ai!
Aqui é que vale aquela máxima de mais valer falar mal do que não falar de todo (ou qualquer coisa assim...)